Emagrecimento e canetas
Remédios para emagrecer aprovados pela Anvisa: lista completa e diferenças
Por Dr. Bruno Galdino · Médico · CRM-MG 98375
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Resposta rápida
Os remédios aprovados no Brasil para tratar obesidade são tirzepatida (Mounjaro), semaglutida (Wegovy), liraglutida (Saxenda e similares), naltrexona com bupropiona (Contrave), orlistate e sibutramina. Os injetáveis são os mais eficazes, com perda média de 8% a 21% do peso. Todos exigem receita, e nenhum funciona bem sem mudança de hábitos e acompanhamento.
Quais remédios são aprovados no Brasil?
| Medicamento | Como se usa | Eficácia | Pontos de atenção |
|---|---|---|---|
| Tirzepatida (Mounjaro) | Injeção semanal | Muito alta: 15% a 21% de perda média | Náusea e outros efeitos gastrointestinais; custo |
| Semaglutida 2,4 mg (Wegovy) | Injeção semanal | Alta: cerca de 15% | Idem; reduz eventos cardiovasculares |
| Liraglutida 3 mg (Saxenda e similares) | Injeção diária | Moderada: cerca de 8% | Aplicação diária |
| Naltrexona + bupropiona (Contrave) | Comprimido | Moderada | Náusea; não usar em quem tem convulsão ou usa opioide |
| Sibutramina | Comprimido | Modesta a moderada | Receita controlada; contraindicada em doença cardíaca |
| Orlistate | Comprimido nas refeições | Modesta | Diarreia gordurosa; reduz absorção de vitaminas |
Os percentuais são a perda média total nos estudos principais de cada remédio, que tiveram durações e populações diferentes. Servem para dar a ordem de grandeza, não para comparar ponto a ponto.
Para quem eles são indicados?
A regra geral das diretrizes e das bulas:
- IMC a partir de 30; ou
- IMC a partir de 27 com doença associada ao peso, como hipertensão, diabetes, pré-diabetes, colesterol alto ou apneia do sono;
- depois de avaliação médica que descarte contraindicações.
Como escolher entre eles?
A escolha leva em conta:
- quanto peso é preciso perder para melhorar a saúde;
- doenças associadas: em doença cardiovascular, a semaglutida tem estudo de proteção; em diabetes, tirzepatida e semaglutida ajudam também a glicose;
- contraindicações: sibutramina em cardiopatas, bupropiona em quem tem epilepsia, canetas em quem tem histórico de câncer medular de tireoide;
- preferência: injeção semanal, injeção diária ou comprimido;
- custo, que mudou bastante em 2026 com a chegada das semaglutidas nacionais.
E os remédios "naturais", chás e fórmulas?
- Produtos naturais vendidos para emagrecer não têm eficácia comprovada, e a Anvisa já encontrou alguns com sibutramina ou outros remédios escondidos.
- Fórmulas que misturam diurético, laxante, hormônio de tireoide e calmante fazem perder água, não gordura, e podem causar arritmia e outros problemas sérios.
- Canetas do Paraguai e outras vendidas sem receita não têm garantia de dose nem de pureza. A tirzepatida manipulada por farmácia autorizada, com prescrição, é outra coisa. Veja tirzepatida manipulada.
Remédio sozinho resolve?
Não. Em todos os estudos, o remédio foi usado junto com orientação de alimentação e atividade física. Sem isso, o resultado é menor, e a chance de recuperar o peso ao parar é maior. Remédio é uma ferramenta dentro do tratamento da obesidade.
Perguntas frequentes
Existe remédio para emagrecer sem receita?
Os medicamentos com eficácia comprovada para obesidade exigem receita. O orlistate é o que tem menor restrição de venda. Produtos "naturais" e chás vendidos como emagrecedores não têm eficácia demonstrada, e alguns já foram flagrados com remédios escondidos na fórmula.
Qual o remédio para emagrecer mais eficaz?
A tirzepatida (Mounjaro), com perda média de 15% a 21% do peso em 72 semanas nos estudos, seguida pela semaglutida 2,4 mg (Wegovy), com cerca de 15%.
Remédio tarja preta para emagrecer ainda é usado?
A sibutramina é controlada e tem restrições, como não poder ser usada por quem tem doença cardiovascular. Os anfetamínicos (anfepramona, femproporex, mazindol) têm uso muito restrito e controverso, e perderam espaço para os medicamentos mais novos, mais eficazes e mais seguros.
Fórmulas com várias substâncias para emagrecer funcionam?
Fórmulas que misturam várias substâncias (diuréticos, laxantes, hormônio de tireoide, ansiolíticos) dão perda rápida de água e muitos efeitos colaterais, e o peso volta. Algumas combinações são perigosas. Não são tratamento de obesidade.

Referências
- ABESO. Diretrizes Brasileiras de Obesidade e posicionamentos sobre tratamento farmacológico.
- Jastreboff AM et al. SURMOUNT-1. N Engl J Med. 2022;387:205-216.
- Wilding JPH et al. STEP 1. N Engl J Med. 2021;384:989-1002.
- Pi-Sunyer X et al. SCALE Obesity and Prediabetes. N Engl J Med. 2015;373:11-22.
- Khera R et al. Association of Pharmacological Treatments for Obesity With Weight Loss and Adverse Events: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA. 2016;315(22):2424-2434.
Conteúdo informativo. Não substitui consulta médica, e nenhum medicamento citado aqui deve ser usado sem prescrição e acompanhamento.