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Menopausa e saúde hormonal feminina

Reposição hormonal na menopausa: benefícios, riscos e quem pode fazer

Por Dr. Bruno Galdino · Médico · CRM-MG 98375
· Revisado em

Resposta rápida

A terapia hormonal é o tratamento mais eficaz para fogachos e suores noturnos e também protege os ossos. Para mulheres saudáveis que começam antes dos 60 anos ou nos primeiros 10 anos após a menopausa, os benefícios geralmente superam os riscos. O aumento do risco de câncer de mama com a terapia combinada é pequeno, e a via transdérmica tem menor risco de trombose. Em novembro de 2025, a FDA retirou os alertas em tarja preta desses hormônios.

Para que serve a reposição hormonal?

A terapia hormonal da menopausa (TH) repõe o estrogênio que os ovários deixam de produzir. Ela é:

  • o tratamento mais eficaz para fogachos e suores noturnos, que reduz em cerca de 75% a frequência;
  • eficaz para secura vaginal e dor na relação;
  • protetora dos ossos, reduzindo fraturas;
  • útil para sono, humor e dor articular ligados à menopausa.

Mulheres com útero usam estrogênio com progestagênio, que protege o endométrio. Mulheres sem útero usam estrogênio isolado.

O que mudou na visão sobre os riscos?

Em 2002, o estudo WHI associou a terapia hormonal a câncer de mama, infarto e AVC, e o uso despencou no mundo inteiro. As análises posteriores mostraram que:

  • as participantes tinham em média 63 anos, mais de 10 anos depois da menopausa;
  • em mulheres com menos de 60 anos ou com até 10 anos de menopausa, o risco cardiovascular não aumentou;
  • após 18 anos de acompanhamento, a mortalidade geral foi igual à de quem não usou hormônio.

Em novembro de 2025, a FDA retirou os alertas em tarja preta sobre doença cardiovascular, câncer de mama e demência das bulas desses hormônios. A FEBRASGO apoiou a decisão. Segue mantido o alerta de câncer de endométrio para estrogênio sem progestagênio em quem tem útero.

Quais são os riscos reais?

RiscoO que se sabe
Câncer de mamaAumento pequeno com a terapia combinada por vários anos, cerca de 1 caso a mais por 1.000 mulheres por ano; não aumentou com estrogênio isolado no WHI
TromboseAumenta com estrogênio oral; risco muito menor com adesivo ou gel
AVCPequeno aumento com via oral, mais em mulheres acima de 60 anos
Câncer de endométrioAumenta com estrogênio sem progestagênio em quem tem útero; por isso a associação
VesículaAumento de cálculos com via oral

Para comparação, o risco de câncer de mama associado à terapia combinada é semelhante ao do consumo diário de duas taças de vinho ou ao da obesidade.

Quem pode fazer?

Pelas diretrizes atuais, a terapia hormonal é indicada para mulheres com sintomas moderados a intensos que:

  • têm menos de 60 anos ou estão nos primeiros 10 anos após a menopausa;
  • não têm contraindicação.

Mulheres com menopausa antes dos 45 anos em geral devem usar hormônio até a idade média da menopausa, mesmo sem sintomas, para proteger ossos e coração.

Quem não deve fazer?

  • Câncer de mama ou de endométrio atual ou passado;
  • sangramento vaginal sem explicação;
  • trombose ou embolia prévia;
  • infarto, AVC ou doença coronariana;
  • doença grave do fígado.

Para essas mulheres existem tratamentos sem hormônio para os fogachos e opções locais em dose baixa para a secura vaginal, conforme o caso.

Adesivo, gel ou comprimido?

ViaVantagensQuando preferir
Adesivo ou gel de estradiolMenor risco de trombose; não altera triglicerídeosObesidade, enxaqueca, hipertensão, maior risco de trombose
ComprimidoPrático, baratoMulheres sem fatores de risco
Creme ou óvulo vaginalTrata a secura com absorção mínimaSintomas só vaginais e urinários

Para quem tem útero, a progesterona micronizada é uma das opções com melhor perfil de segurança mamária.

Perguntas frequentes

Reposição hormonal causa câncer?

A terapia combinada (estrogênio com progestagênio) por mais de alguns anos se associa a um aumento pequeno do risco de câncer de mama, da ordem de 1 caso a mais por 1.000 mulheres por ano. O estrogênio isolado, usado por mulheres sem útero, não aumentou esse risco no estudo WHI. Sem progestagênio, o estrogênio aumenta o risco de câncer de endométrio em quem tem útero.

Adesivo, gel ou comprimido: qual é melhor?

As vias transdérmicas (adesivo e gel) não passam pelo fígado e têm menor risco de trombose que o comprimido, por isso são preferidas em mulheres com obesidade, enxaqueca ou maior risco de trombose. O comprimido é prático e eficaz para muitas mulheres sem esses fatores.

Por quanto tempo posso fazer reposição?

Não há um prazo máximo fixo. As diretrizes atuais recomendam reavaliar riscos e benefícios todo ano, sem suspensão automática após 5 anos.

Reposição hormonal natural ou bioidêntica é mais segura?

O estradiol e a progesterona micronizada dos medicamentos registrados já são idênticos aos hormônios do corpo. Formulações manipuladas "bioidênticas" não têm padronização de dose nem estudos de segurança, e não são mais seguras.

Reposição hormonal tem pelo SUS?

Alguns hormônios para a menopausa estão disponíveis no SUS, e a disponibilidade varia entre municípios. Vale perguntar na unidade básica de saúde.

Dr. Bruno Galdino, CRM-MG 98375

Quem escreveu

Dr. Bruno Galdino

Médico · CRM-MG 98375 · Formado pela UFMG

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Referências

  1. The 2022 Hormone Therapy Position Statement of The North American Menopause Society. Menopause. 2022;29(7):767-794.
  2. Manson JE et al. Menopausal Hormone Therapy and Long-term All-Cause and Cause-Specific Mortality: The WHI Randomized Trials. JAMA. 2017;318(10):927-938.
  3. Revista Pesquisa FAPESP. Reavaliação dos EUA e novos estudos podem reduzir o medo da reposição hormonal na menopausa, 2026.
  4. Olhar Digital. FDA retira advertências de risco em hormônios para menopausa: o que muda para as mulheres?, novembro de 2025.

Conteúdo informativo. Não substitui consulta médica, e nenhum medicamento citado aqui deve ser usado sem prescrição e acompanhamento.

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