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Menopausa e saúde hormonal feminina

Testosterona em mulheres: quando é indicada, gel, dose e riscos

Por Dr. Bruno Galdino · Médico · CRM-MG 98375
· Revisado em

Resposta rápida

A única indicação de testosterona para mulheres com evidência sólida é o transtorno do desejo sexual hipoativo após a menopausa, quando outras causas foram tratadas. Nesse caso, doses baixas por via transdérmica melhoram desejo e satisfação sexual de forma moderada. Não há evidência para usar testosterona em mulheres para disposição, humor, massa muscular ou emagrecimento, e doses altas causam efeitos masculinizantes.

Mulher também produz testosterona?

Sim. Ovários e suprarrenais produzem testosterona em quantidades muito menores que no homem, em geral abaixo de 50 a 70 ng/dL. Os níveis caem gradualmente com a idade, e de forma brusca quando os ovários são retirados.

Quando a testosterona é indicada?

O consenso global de 2019, assinado por sociedades de endocrinologia, ginecologia e menopausa de vários países, concluiu que existe uma indicação com evidência:

  • transtorno do desejo sexual hipoativo em mulheres após a menopausa: queda do desejo que causa sofrimento, depois de avaliar e tratar outras causas.

Nesse caso, doses baixas por via transdérmica melhoraram desejo, excitação, orgasmo e satisfação de forma moderada, em média um episódio satisfatório a mais por mês.

Antes de pensar em testosterona, vale avaliar e tratar:

  • secura vaginal e dor na relação (que o estrogênio vaginal trata bem);
  • sono, cansaço e fogachos;
  • depressão e ansiedade, e remédios para elas;
  • questões do relacionamento;
  • anticoncepcionais e outros remédios que reduzem a libido.

E para disposição, humor ou músculo?

O mesmo consenso concluiu que não há evidência suficiente para usar testosterona em mulheres para:

  • cansaço e disposição;
  • humor, memória ou concentração;
  • massa muscular, força ou emagrecimento;
  • saúde óssea ou cardiovascular.

Como é usada?

  • Via transdérmica, em gel ou creme, com o objetivo de manter o nível dentro da faixa feminina normal;
  • como não há produto feminino registrado no Brasil, usa-se uma pequena fração da dose masculina, com orientação precisa;
  • dosagem de testosterona antes e entre 3 e 6 semanas depois de começar, para garantir que o nível não ultrapasse a faixa feminina;
  • reavaliação em 6 meses: sem benefício, o tratamento é suspenso.

Implantes e injeções não são recomendados, porque levam a níveis acima do fisiológico. Veja chip da beleza.

Quais os efeitos colaterais?

Em doses adequadas, os efeitos são pouco frequentes e leves: acne e aumento de pelos. Em doses altas podem aparecer queda de cabelo, voz grossa (às vezes permanente), aumento do clitóris e alteração do colesterol. A segurança a longo prazo, além de 2 anos, ainda é pouco estudada.

Perguntas frequentes

Quais os sintomas de testosterona baixa na mulher?

Não existe um quadro bem definido de "testosterona baixa" na mulher, e não há um valor de corte que diagnostique deficiência. A queda do desejo sexual é o sintoma mais relacionado, mas tem muitas outras causas, como sono, humor, relacionamento, remédios e secura vaginal.

Gel de testosterona para mulher funciona?

Para o desejo sexual hipoativo após a menopausa, sim, de forma moderada. Como não há produto feminino registrado no Brasil, usa-se uma fração da dose masculina, o que exige prescrição cuidadosa e controle com exames.

Testosterona ajuda a mulher a ganhar massa muscular ou emagrecer?

Não há evidência de benefício com doses fisiológicas, e doses maiores causam efeitos masculinizantes, alteração de colesterol e outros riscos. Para massa muscular, o caminho é treino de força e proteína.

Dr. Bruno Galdino, CRM-MG 98375

Quem escreveu

Dr. Bruno Galdino

Médico · CRM-MG 98375 · Formado pela UFMG

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Referências

  1. Davis SR et al. Global Consensus Position Statement on the Use of Testosterone Therapy for Women. J Clin Endocrinol Metab. 2019;104(10):4660-4666.
  2. Islam RM et al. Safety and efficacy of testosterone for women: a systematic review and meta-analysis of randomised controlled trial data. Lancet Diabetes Endocrinol. 2019;7(10):754-766.

Conteúdo informativo. Não substitui consulta médica, e nenhum medicamento citado aqui deve ser usado sem prescrição e acompanhamento.

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