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Saúde metabólica

Gordura no fígado: graus, sintomas, se é grave e como tratar

Por Dr. Bruno Galdino · Médico · CRM-MG 98375
· Revisado em

Resposta rápida

Gordura no fígado, hoje chamada de doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD), atinge cerca de um terço dos adultos e quase sempre não dá sintomas. Os graus 1, 2 e 3 do ultrassom indicam a quantidade de gordura, e não a gravidade: o que define o risco é a presença de fibrose, avaliada por exames como o FIB-4 e a elastografia. O tratamento principal é perder de 5% a 10% do peso.

O que é gordura no fígado?

É o acúmulo de gordura dentro das células do fígado. Desde 2023, o nome técnico é doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (em inglês, MASLD), porque ela anda junto com obesidade, resistência à insulina, diabetes, colesterol alto e pressão alta.

Ela é muito comum: atinge cerca de um terço dos adultos e a maioria das pessoas com obesidade ou diabetes tipo 2.

O que significam os graus 1, 2 e 3?

O ultrassom classifica a gordura em graus:

GrauO que indica
1 (leve)Pouca gordura
2 (moderado)Quantidade intermediária
3 (acentuado)Muita gordura

O grau não mede a gravidade. O que define o risco é a fibrose, a cicatriz que pode se formar com a inflamação e, em anos, evoluir para cirrose. O ultrassom comum não enxerga fibrose.

Como saber se é grave?

Dois passos simples:

  1. FIB-4: um cálculo feito com idade, plaquetas e duas enzimas do fígado (TGO e TGP). Abaixo de 1,3, o risco de fibrose avançada é baixo.
  2. Elastografia (como o FibroScan): mede a rigidez do fígado. É indicada quando o FIB-4 vem intermediário ou alto.

Biópsia hoje é exceção.

Quais são os sintomas?

Na maioria dos casos, nenhum. Às vezes há cansaço ou um desconforto do lado direito da barriga. Sinais como pele amarelada, inchaço da barriga e vômito com sangue são de doença avançada e pedem atendimento urgente.

Como tratar?

Perder peso é o tratamento principal, e funciona:

  • 5% do peso já reduz a gordura no fígado;
  • 7% a 10% melhora a inflamação e pode fazer a fibrose regredir.

Além disso:

  • reduzir álcool ao mínimo;
  • cortar bebidas adoçadas e açúcar;
  • atividade física regular, que melhora o fígado mesmo sem grande perda de peso;
  • controlar diabetes, colesterol e pressão.

Existe remédio?

  • As canetas para obesidade ajudam pela perda de peso e por efeito direto. No estudo SYNERGY-NASH, a tirzepatida levou à resolução da inflamação do fígado (esteato-hepatite) em até 62% dos pacientes, contra 10% no placebo.
  • Nos EUA, foram aprovados medicamentos específicos para a forma com fibrose, como o resmetirom e a semaglutida.
  • Vitamina E e pioglitazona são usadas em casos selecionados.

A escolha depende do grau de fibrose e das doenças associadas. Veja tratamento da obesidade.

Perguntas frequentes

Gordura no fígado grau 3 é grave?

O grau 3 do ultrassom indica muita gordura, mas não diz se há fibrose, que é o que define a gravidade. Uma pessoa com grau 1 pode ter fibrose, e outra com grau 3 pode não ter. Por isso a avaliação inclui exames de fibrose, como o FIB-4 e a elastografia.

Gordura no fígado causa dor?

Na maioria das vezes, não. Às vezes há um desconforto do lado direito, abaixo das costelas. Dor forte não é típica e deve ser investigada por outras causas.

O que não comer com gordura no fígado?

O principal é reduzir álcool, bebidas adoçadas (principalmente com frutose, como refrigerantes e sucos), açúcar e ultraprocessados. Não é preciso cortar a gordura toda: azeite e oleaginosas fazem parte de dietas que melhoram o fígado, como a mediterrânea.

Gordura no fígado tem cura?

Sim, a gordura pode desaparecer com perda de peso. Mesmo a inflamação e a fibrose em fase inicial podem regredir com perda de 7% a 10% do peso.

Dr. Bruno Galdino, CRM-MG 98375

Quem escreveu

Dr. Bruno Galdino

Médico · CRM-MG 98375 · Formado pela UFMG

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Referências

  1. Rinella ME et al. A multisociety Delphi consensus statement on new fatty liver disease nomenclature. Hepatology. 2023;78(6):1966-1986.
  2. EASL-EASD-EASO Clinical Practice Guidelines on the management of metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease (MASLD). J Hepatol. 2024;81(3):492-542.
  3. Vilar-Gomez E et al. Weight Loss Through Lifestyle Modification Significantly Reduces Features of Nonalcoholic Steatohepatitis. Gastroenterology. 2015;149(2):367-378.
  4. Loomba R et al. Tirzepatide for Metabolic Dysfunction–Associated Steatohepatitis with Liver Fibrosis (SYNERGY-NASH). N Engl J Med. 2024;391:299-310.

Conteúdo informativo. Não substitui consulta médica, e nenhum medicamento citado aqui deve ser usado sem prescrição e acompanhamento.

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