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Saúde hormonal masculina

Reposição de testosterona: como funciona, riscos, efeitos e preço

Por Dr. Bruno Galdino · Médico · CRM-MG 98375
· Revisado em

Resposta rápida

A reposição de testosterona trata homens com deficiência confirmada e sintomas. Ela melhora libido, função sexual, humor, massa óssea e anemia. As formas mais usadas são gel diário e injeções a cada 2 a 3 semanas ou a cada 10 a 14 semanas. O estudo TRAVERSE não mostrou aumento de infarto e AVC. Os principais riscos são aumento do hematócrito e infertilidade, por isso o tratamento exige exames periódicos.

Para quem é a reposição?

Para homens com sintomas de deficiência (principalmente queda de libido e da função sexual) e testosterona baixa confirmada em pelo menos dois exames colhidos de manhã. Antes de repor, investiga-se a causa, porque obesidade, apneia e remédios derrubam a testosterona e têm tratamento próprio. Veja testosterona baixa: sintomas.

Quais os benefícios comprovados?

Em homens com deficiência, os estudos mostram melhora de:

  • libido e função sexual, o benefício mais consistente;
  • humor e sintomas depressivos leves;
  • densidade óssea;
  • anemia;
  • massa magra e redução de gordura, de forma moderada.

Os Testosterone Trials, com homens acima de 65 anos com testosterona baixa, confirmaram melhora da função sexual, do humor e da anemia, com efeito pequeno em disposição e caminhada.

Quais são as formas de reposição?

FormaComo se usaVantagensDesvantagens
GelTodo dia, na pele do ombro ou abdomeNíveis estáveis, sem injeçãoRisco de passar a hormônio por contato para mulher e criança; custo
CipionatoInjeção a cada 2 a 3 semanasBarato, disponívelPicos e vales; mais aumento de hematócrito
UndecilatoInjeção a cada 10 a 14 semanasNíveis estáveis, poucas aplicaçõesAplicação em consultório; custo por dose

Quais são os riscos e efeitos colaterais?

Coração. O estudo TRAVERSE, com 5.246 homens de 45 a 80 anos com deficiência e alto risco cardiovascular, não mostrou aumento de infarto, AVC ou morte cardiovascular com o gel de testosterona. Houve mais casos de fibrilação atrial, embolia pulmonar e lesão renal aguda.

Outros efeitos:

  • aumento do hematócrito: o sangue fica mais espesso; é o efeito mais comum e o principal motivo de ajuste ou pausa;
  • infertilidade: a testosterona de fora suprime a produção de espermatozoides, muitas vezes até zero; quem quer ter filhos precisa discutir alternativas antes de começar;
  • acne e pele oleosa;
  • aumento das mamas;
  • piora da apneia do sono;
  • aceleração da calvície em quem tem predisposição;
  • redução do tamanho dos testículos.

Como é o acompanhamento?

QuandoO que se avalia
Antes de começarTestosterona, hemograma, PSA (conforme a idade), sintomas, desejo de fertilidade
3 a 6 mesesTestosterona, hematócrito, PSA, resposta dos sintomas
Depois, uma vez por anoOs mesmos exames e o benefício percebido

Se o hematócrito passa de 54%, a dose é reduzida ou o tratamento é pausado.

Quem não deve repor?

Homens com câncer de próstata ou de mama ativos, hematócrito alto, apneia grave não tratada, insuficiência cardíaca descompensada, infarto ou AVC recente, e quem planeja ter filhos em breve.

Perguntas frequentes

Reposição de testosterona causa queda de cabelo?

Pode acelerar a calvície em homens com predisposição genética, porque parte da testosterona vira DHT, o hormônio ligado à calvície. Quem já tem entradas ou histórico familiar forte deve conversar sobre isso antes.

Reposição de testosterona causa câncer de próstata?

Os estudos não mostram que a reposição em homens com deficiência cause câncer de próstata. Mas ela pode estimular um câncer já existente, por isso o PSA e o exame da próstata são feitos antes e durante o tratamento, conforme a idade.

Gel ou injeção: qual é melhor?

O gel dá níveis mais estáveis e é aplicado todo dia. A injeção de cipionato é mais barata, mas gera picos e vales entre as doses. A de undecilato é aplicada a cada 10 a 14 semanas com níveis estáveis, e custa mais por aplicação. A escolha depende de rotina, custo e exames.

Quanto custa a reposição de testosterona?

O custo varia com a forma escolhida: o cipionato injetável costuma ser o mais barato; gel e undecilato custam mais. Somam-se consultas e exames periódicos de acompanhamento.

Depois que começa, precisa repor para sempre?

Depende da causa. Na deficiência por doença dos testículos ou da hipófise, o tratamento costuma ser contínuo. Quando a causa é reversível, como obesidade, é possível reavaliar depois da perda de peso.

Dr. Bruno Galdino, CRM-MG 98375

Quem escreveu

Dr. Bruno Galdino

Médico · CRM-MG 98375 · Formado pela UFMG

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Referências

  1. Lincoff AM et al. Cardiovascular Safety of Testosterone-Replacement Therapy (TRAVERSE). N Engl J Med. 2023;389:107-117.
  2. Bhasin S et al. Testosterone Therapy in Men With Hypogonadism: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2018;103(5):1715-1744.
  3. Snyder PJ et al. Effects of Testosterone Treatment in Older Men (The Testosterone Trials). N Engl J Med. 2016;374:611-624.

Conteúdo informativo. Não substitui consulta médica, e nenhum medicamento citado aqui deve ser usado sem prescrição e acompanhamento.

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